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| Filme escancara as bizarrices de um governante negacionista que foi responsável por mais de 700 mil mortes na pandemia de Covid-19 (Fotos: Divulgação) |
Mirtes Helena Scalioni
Imprescindível. Talvez seja essa a palavra que melhor define
"Anatomia do Caos", filme que mostra, com riqueza de detalhes, o que
se passou no Brasil a partir da decretação da pandemia de Covid 19 em março de
2020 pela Organização Mundial da Saúde, lembrando que o país era governado por
Jair Messias Bolsonaro.
Com roteiro e direção de Dandara Ferreira ("Meu Nome éGal" - 2023), o documentário, que estreia nesta quinta-feira (2) no Cine Belas Artes, é peça importante para que não caia no
esquecimento os absurdos inacreditáveis vividos pelos brasileiros naqueles dias.
A começar pelo gigantesco número de mortes - mais de 700 mil
- o filme escancara as bizarrices de um governante negacionista, anticiências e
adepto de um chamado tratamento preventivo à base de Hidroxicloroquina,
comprovadamente ineficaz.
O filme, que ao final faz questão de deixar clara a intenção
de ser um documento de interesse público e de finalidade informativa, mostra a
instalação e desenvolvimento da CPI da Covid-19 que levou milhões de brasileiros
para a frente das TVs todas as manhãs.
Tornou populares figuras como Omar Aziz, Renan Calheiros,
Randolfe Rodrigues, Simone Tebet, Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o
senador Flávio Bolsonaro, sempre pronto a defender o pai.
São inacreditáveis as muitas falas do presidente da
República durante a pandemia. Em lives ou entrevistas, ele chama a doença de
gripezinha, debocha dos doentes com falta de ar, chama os brasileiros de 'maricas',
indica medicamentos que não funcionam e responde mal aos jornalistas quando a
pergunta é sobre as mortes.
Todos se lembram da famosa frase "eu não sou
coveiro" e da campanha contra as máscaras e vacinas. Ou do discurso dele
na ONU, quando disse ter salvado o Brasil que estava à beira do socialismo.
Igualmente inesquecível é o chamado gabinete paralelo, que
tinha à frente Osmar Terra, defensor intransigente da imunização de rebanho
junto com o desastroso ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello.
Outra lembrança importante ativada pelo documentário é a
crise de escassez de oxigênio em Manaus, quando milhares de pessoas morreram
literalmente por falta de ar.
O Brasil perdeu também grupos indígenas que foram
exterminados pela doença levada pelos brancos, mas a CPI pegou fogo mesmo
quando o deputado federal Luis Miranda denunciou o que passou a ser chamado de
escândalo da Covaxin, quando veio à tona a proposta de pagar muito além do
preço de tabela por essa vacina.
Não faltou também menção ao caso da Prevent Sênior, com seus
números duvidosos e a surpreendente declaração da médica responsável:
"Óbito também é alta".
Com placas indicando o número de mortes aumentando a cada
dia, a CPI ouviu também os empresários Carlos Wizard, que defendia o tratamento
precoce com Cloroquina enquanto citava versículos bíblicos.
E o impagável e estranhíssimo Luciano Hang, conhecido como
"veio da Havan", que marcou presença com suas fanfarronices e
convites a motociatas enquanto o Brasil se tornava responsável por 33% das
mortes por Covid 19 em todo o mundo.
O tempo costuma apagar tudo, até mesmo as dores mais cruéis.
Nesse sentido, "Anatomia do Caos" faz seu papel importante, usando a
arte para reativar a memória e para que episódios como esses jamais se repitam.
Vale ressaltar que, em 2022, Jair Bolsonaro torna-se o
primeiro presidente desde a redemocratização a não ser reeleito.
Ficha técnica:
Direção: Dandara Ferreira Roteiro: Dandara Ferreira e Élcio Verçosa Filho
Produção: Movioca Casa de Conteúdo, Las Margaridas e LabV
Distribuição: Descoloniza Filmes
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h29
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: documentário, drama








