20 setembro 2026

"A Ilha Esquecida": quando a amizade é a chave para não esquecer quem amamos

Animação é ambientada nas Filipinas da década de 1990, explorando as histórias do folclore local
(Fotos: DreamWorks Animation)
 
 

Maristela Bretas

 
Uma das melhores animações do ano tem um visual incrível e uma verdadeira explosão de cores para falar sobre amizade: “A Ilha Esquecida” (“Forgotten Island”) está em cartaz nos cinemas, com direção e roteiros de Joel Crawford e Januel Mercado, produção da DreamWorks Animation e distribuição da Universal Pictures.

Apesar de voltado ao público infantil, o filme traz algumas cenas que podem assustar crianças abaixo dos 10 anos, além de diálogos diretos e bastante francos sobre amizade, relacionamentos e as mudanças que fazem parte da vida.


Na trama, ambientada nas Filipinas da década de 1990, conhecemos Jo (voz da cantora H.E.R.) e Raissa (voz da atriz filipina Liza Soberano, que cresceu ouvindo histórias do folclore de seu país), amigas inseparáveis desde a infância.

Recém-formadas no ensino médio e com visões diferentes de futuro, as duas melhores amigas estão prestes a seguir caminhos diferentes. Enquanto Jo permanece nas Filipinas, Raissa se prepara para se mudar para os Estados Unidos.


Durante a celebração de despedida, elas encontram um misterioso portal que há anos procuram e são transportadas para a fantástica ilha de Nakali. O lugar é habitado por criaturas mágicas e mitológicas, como metamorfos, demônios, bruxas e monstros, seres sobre os quais as duas cresceram ouvindo histórias contadas por Lola Fátima (Dolly de Leon), avó de Jo.

Ao descobrirem que o preço para retornar para casa é abrir mão das memórias que construíram juntas ao longo da vida, elas terão de enfrentar um grande desafio. Ao lado de Raww (Dave Franco), um desajeitado cão-lobisomem, elas precisam derrotar a temida Manananggal (voz de Lea Salonga) antes que se esqueçam uma da outra. 

No elenco de dubladores estão ainda Manny Jacinto (Bungi Tiyanak), Jenny Slate (Batiba), Jo Koy (Datu) e Ronny Chieng (Rei Truflle Wuffle).



Amigos há 15 anos, desde as gravações de “Kung Fu Panda 2”, Joel Crawford e Januel Mercado são responsáveis por sucessos como “Gato de Botas 2: O Último Pedido” (2022) e “Os Croods 2: Uma Nova Era” (2021).

A produção acertou também na trilha sonora dinâmica, que reúne composições originais de Nathan Matthew David e vozes de grandes artistas da música internacional e filipina. O destaque fica para o sucesso dos anos 1980 “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds, escolhido como tema do filme.

H.E.R. e Liza Soberano também interpretam as canções “BRB” e “Jerk in the Box”, além de faixas com BINI, Lea Salonga e Sophia Laforteza.


Um dos pontos negativos é o pouco aprofundamento na origem de alguns personagens secundários, como os novos amigos da dupla e os próprios vilões. Conhecer melhor suas histórias ajudaria a compreender seus comportamentos e motivações.

Ainda assim, “A Ilha Esquecida” é um filme vibrante, divertido e cheio de fantasia, mas que vai muito além da aventura. A mensagem final, forte e extremamente sensível, mostra como as amizades podem transformar vidas e permanecerem importantes mesmo quando tudo ao redor parece mudar.

Vale muito a pena ser conferido. E prepare o lenço: cai até um cisco no olho.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Joel Crawford e Januel Mercado
Produção: DreamWorks Animation, em parceria com a Snipple Animation
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h43
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: animação, infantil, família

17 setembro 2026

"One Piece: O Grande Pirata do Ouro": o maior tesouro não está no baú

Anime é uma aventura complementar dentro da franquia, pela primeira vez com versão dublada em
português (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Depois do sucesso da série na Netflix, os piratas mais loucos do anime chegam dia 24 aos cinemas. "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" ou "One Piece: O Filme", como também está sendo chamado, funciona praticamente como uma aventura complementar dentro da franquia, que não exige conhecimento da extensa cronologia.

Com versão inédita dublada em português, direção de Junji Shimizu e distribuição da Paris Filmes, não é preciso encarar mais de mil episódios da série ou conhecer a produção para acompanhar a história. Basta gostar de anime, piratas e aventura. E conferir a crítica da série no @cinemanoescurinho clicando no link https://tinyurl.com/yfsj88md


A trama parte da lenda de Woonan, um pirata que teria desaparecido levando consigo um terço de todo o ouro do mundo e escondendo o tesouro em uma ilha misteriosa. 

Anos depois, Luffy e sua tripulação entram nessa busca e acabam enfrentando Eldrago, um pirata que também deseja encontrar a fortuna e possui os poderes de uma Akuma no Mi (fruta sobrenatural do anime e mangá), capazes de transformar sua voz em ondas ultrassônicas.

O tesouro, porém, é apenas a superfície da história. Woonan funciona como uma figura lendária, semelhante ao próprio Gol D. Roger, mostrando como alguém pode continuar influenciando outras pessoas mesmo depois de desaparecer. 


A diferença está no que cada personagem faz com aquilo que recebe como legado. Woonan e Ganzo seguiram caminhos diferentes, e suas escolhas ajudam a mostrar que identidade não nasce pronta: ela também é construída pelas experiências, pelos vínculos e pelas decisões que tomamos.

Essa discussão ganha mais força através de Tobio. O menino possui uma relação de avô e neto com Ganzo e encontra nessa convivência uma referência de afeto, cuidado e família. Ao mesmo tempo, busca entender qual é o seu lugar no mundo. 

É justamente aí que o filme encontra seu ponto mais interessante: pertencimento não depende do lugar onde nascemos nem do que conseguimos possuir, mas das relações que construímos. Tobio não precisa do ouro de Woonan para saber quem é. Precisa sentir que pertence a algum lugar e que existe alguém disposto a caminhar ao seu lado.


A estrutura mais curta faz com que "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" não tenha ação o tempo inteiro. As principais sequências acontecem no início e próximo ao final, enquanto boa parte da narrativa se dedica a apresentar a lenda e seus personagens. 

Para quem espera uma aventura acelerada, isso pode causar certa estranheza. Por outro lado, permite que a história trabalhe melhor temas como memória, legado e identidade.

O problema está justamente em alguns personagens que poderiam receber mais atenção. Eldrago é um vilão funcional, mas pouco desenvolvido. Sua obsessão pelo ouro e pelo poder aparece de maneira rápida, sem que o roteiro consiga explorar o que existe por trás dessa ambição. 


A luta contra Luffy, entretanto, compensa parte dessa fragilidade e ganha força nas sequências de ação, especialmente quando projetadas na tela grande.

No fim, "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" está menos interessado no ouro do que parece. Woonan representa o legado de uma lenda; Ganzo, as consequências das escolhas; e Tobio, a necessidade de encontrar um lugar e pessoas que dêem sentido à própria existência. 

É uma aventura curta, divertida e acessível, que pode funcionar tanto para fãs da franquia quanto para quem está chegando agora. Porque, no fim das contas, talvez o maior tesouro de "One Piece" seja descobrir quem somos, de onde viemos e, principalmente, com quem queremos compartilhar a nossa jornada.


Mais novidades

Lançado originalmente em 2000 no Japão, “One Piece: O Grande Pirata do Ouro” é o primeiro longa-metragem animado da franquia dublado em português. A parceria entre a Paris Filme e a Toei Animation, produtora da série, prevê a exibição de outros dois nos cinemas ainda em 2026. 

Os próximos serão "One Piece: Aventura na Ilha Espiral", dia 22 de outubro, e "One Piece: O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos", em 3 de dezembro. Em seguida, os três serão incorporados ao catálogo da Netflix.


Ficha técnica:
Direção: Junji Shimizu
Produção: Toei Animation
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 51 minutos
Classificação: 12 anos
País: Japão
Gêneros: animação, aventura, ação