04 abril 2025

"MMA: Meu Melhor Amigo" estreia no streaming e traz importante mensagem sobre o autismo

Marcos Mion é o protagonista deste filme que mostra os desafios e as singularidades das pessoas com
este transtorno de espectro (Fotos: Globo Filmes)


Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema


"MMA: Meu Melhor Amigo", novo longa protagonizado por Marcos Mion e direção de José Alvarenga Jr., estreou no Disney+ e na Globoplay após ficar pouco tempo nos cinemas. Trazendo uma combinação inusitada de luta e discussão sobre o autismo, o filme aborda, de forma sensível, os desafios e as singularidades das pessoas com este transtorno de espectro, além de conscientizar o público sobre a importância do afeto e da paciência no relacionamento com elas.

Na trama, conhecemos Max Machadada (Marcos Mion), um renomado campeão de MMA em declínio, afastado dos ringues devido a uma séria lesão no ombro. No momento em que descobre ser pai de Bruno, um menino autista de oito anos, Max enfrenta dois desafios cruciais: aprender a compreender e conquistar o carinho de seu filho e se preparar para a luta mais importante de sua vida — o retorno definitivo a sua carreira. 


Entre o treinamento físico e emocional, Max se esforça para se transformar no pai que Bruno precisa, enquanto tenta reerguer sua própria história. Marcos Mion entrega uma atuação segura, fugindo de seus bordões habituais e se dedicando a nuances que aproximam o espectador do personagem. 

O filme faz referências sutis a Rocky Balboa, mas se afasta do universo do boxe para mergulhar na luta livre. Mion também contribui no roteiro, reforçando seu compromisso com a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tema que ele conhece bem por ter um filho na vida real, Romeo, com este distúrbio do neurodesenvolvimento.


O elenco de apoio brilha ao complementar a jornada de Max. Vanessa Giácomo tem um papel pequeno, mas significativo, ajudando a trama a avançar. Antônio Fagundes, como o pai de Max, constrói uma relação complexa marcada por conflitos e resquícios do passado. 

Andréia Horta interpreta Laís, mãe do garoto, uma figura forte e cheia de camadas, que oferece suporte prático e emocional ao protagonista, além de educá-lo sobre as necessidades de Bruno.

A direção acerta ao equilibrar o drama familiar com as cenas de treinamento e luta. O roteiro de José Alvarenga Jr. aprofunda o conflito entre as responsabilidades de Max como pai e atleta, enquanto explora temas como a interação de Bruno (interpretado por Guilherme Tavares) com outras crianças, sua percepção sensorial diferenciada, e a importância do cuidado paciente e amoroso. O jovem acrescenta leveza e humanidade à narrativa.


Os pontos fracos do filme são as coreografias mal feitas das lutas e a conclusão da história. Apesar de coesa, a narrativa finaliza de forma abrupta, deixando em aberto a evolução dos personagens após a tão aguardada luta. O desfecho, ao focar na relação de Max com seu filho, poderia ter explorado mais o impacto dessa jornada na vida dos dois. 

"MMA: Meu Melhor Amigo" é um filme simples, repleto de clichês, mas que se destaca pela humanidade e sensibilidade com que aborda o universo autista. Marcos Mion se firma como um porta-voz da causa, transmitindo uma mensagem poderosa sobre convivência, empatia e superação. 

A obra não só conscientiza o público, mas também celebra as diferenças, mostrando que lidar com pessoas no espectro autista exige paciência, respeito e, acima de tudo, amor.
 

Ficha técnica:
Direção: José Alvarenga Júnior
Roteiro e Argumento/Criação: Marcos Mion e Paulo Cursino
Produção: Globo Filmes, Formata Produções e Conteúdo, Star Original Productions
Distribuição: Star Distribution Brasil
Exibição: Globoplay e Disney+
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

03 abril 2025

"Desconhecidos", um suspense brutal que revela a reviravolta antes da hora

Willa Fitzgerald é a jovem caçada por um homem misterioso após uma noite de sexo (Fotos: Paris Filmes)


Maristela Bretas


"Desconhecidos" ("Strange Darling"), suspense do diretor e roteirista J.T. Moliner, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, mergulha o espectador em uma perseguição implacável de um desconhecido a uma jovem, com momentos de terror e violência extrema. 

Após um encontro aparentemente casual e uma noite de muito sexo, Lady, papel de Willa Fitzgerald, se vê implacavelmente caçada por um homem (Kyle Gallner) com intenções sinistras. 

Paralelo a isso, a polícia está à procura por um serial killer que já matou várias pessoas pelo país com requintes de crueldade e que consegue fugir deixando um banho de sangue por onde passa.


Gostou da premissa? Mas ela pode mudar completamente. A trama é contada em capítulos intercalados, formando um flashback confuso inicialmente, mas que vai ganhando consistência à medida que avança. 

A crescente sensação de perigo é palpável desde os primeiros momentos. E as cenas de violência e caçada aumentam o suspense e a dúvida: quem é o gato e quem é o rato?

No entanto, a narrativa dá uma escorregada ao entregar muito cedo ao público a principal reviravolta da história. Essa revelação precoce pode ter sido intencional por parte do diretor para adicionar uma camada de tensão dramática, mas acaba por minar significativamente o impacto da história. 


O que poderia ser uma surpreendente guinada nos acontecimentos se torna uma mera confirmação do que já se suspeitava, reduzindo o mistério envolvendo os protagonistas. 

O filme só não se torna desinteressante graças às cenas de suspense e violência, construídas com competência, utilizando a trilha sonora e a cinematografia para criar uma atmosfera ameaçadora. São cenas cruas e impactantes que podem chocar o espectador.


A atuação de Willa Fitzgerald, mais conhecida por sua participação em várias séries de TV, também é outro trunfo de "Desconhecidos". A atriz entrega uma interpretação muito convincente como a jovem aterrorizada, carregando grande parte da carga emocional da narrativa. 

Ela consegue transmitir bem a angústia e o desespero da protagonista, tornando sua luta pela sobrevivência envolvente, mesmo quando o roteiro vacila. E ainda conta com um sucesso dos anos de 1970 para embalar sua personagem - "Love Hurts", da banda Nazareth.


Participam também do elenco Barbara Hershey, Ed Begley Jr., Jason Patric, entre outros.

"Desconhecidos" tem uma premissa interessante e a promessa de uma reviravolta cria expectativa. Contudo, a decisão de revelar cedo demais o plot twist principal enfraquece a experiência geral. 

Mesmo assim, o terror e o suspense são eficazes, e fazem com que o público espere por um final tão tenso quanto foi o restante da trama, mesmo que a surpresa tenha chegado antes da hora.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: J.T. Moliner
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h36
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: terror, suspense

02 abril 2025

Impossível não se emocionar com Fernanda Montenegro em "Vitória"

Atriz transforma sua expressão para levar o espectador a uma infinita gama de emoções (Fotos: Sony Pictures)


Mirtes Helena Scalioni


No filme "Vitória", em cartaz nos cinemas, Fernanda Montenegro faz jus - com louvor - ao apelido que recebeu, anos atrás, de um crítico: "cara de borracha". 

A alcunha, justificada pela facilidade e naturalidade com que a atriz transforma sua expressão para levar o espectador a uma infinita gama de emoções, tem, no longa dirigido por Andrucha Waddington uma amostra perfeita. 

O caso da mulher corajosa que, da janela de sua pequena quitinete em Copacabana, filma o movimento cotidiano de traficantes de drogas, usuários e policiais na favela ao lado, é, lógico, uma ótima história.


Mas talvez não tivesse se transformado no excelente filme que é se não tivesse a nossa Fernandona no papel principal. Há sim, pequenas e valiosas participações, mas a atriz, da altura dos seus 95 anos, consegue se superar, mesmo estando sozinha na tela na maior parte da produção. 

Estão no elenco Linn da Quebrada, Sacha Bali, Silvio Quindane, Laila Garin, Thelmo Fernandes, Alan Rocha, Thawan Lucas e outros. Raras atrizes conseguiriam o feito de Fernanda em "Vitória". É que ela, mesmo estando só, faz o jogo de cena - se é que isso seja humanamente possível. 


Não bastasse o talento da artista exibido em simples e corriqueiros diálogos com a caixa do supermercado, o sargento que a atende numa delegacia ou o porteiro do seu prédio, há situações em que ela, mesmo em silêncio, atua. 

Sim, Fernanda Montenegro consegue - acreditem - contracenar com um bolo, uma xícara, uma janela. Olhares, expressões de corpo, meneios e jeitos permitem que o espectador leia - e sinta - com ela: compaixão, medo, angústia, raiva, afeto, pavor, desconfiança, abandono.  

"Eles Não Usam Black-tie"(Reprodução)

Muito se fala da tal cena do feijão, do filme "Eles Não Usam Black-tie", quando Fernanda Montenegro (sempre ela) e Gianfrancesco Guarnieri, sentados à mesa, num momento delicado e carregado de conflitos para aquela família, e em silêncio, escolhem e separam feijões antes de colocá-los na panela. 

O filme, de 1981, foi dirigido por Leon Hirszman e essa espécie de pausa se transformou numa das tomadas mais famosas e icônicas do cinema brasileiro.


Pois em "Vitória", pode-se dizer que há algo semelhante, em um momento também cheio de significados para a história de solidão e abandono da personagem. 

Lentamente, ela vai até uma vitrolinha num canto da sala e, com cuidado, leva o braço do aparelho até um LP. Pequenos acordes de violão e o que se ouve a seguir é Nelson Cavaquinho, com aquela sua voz característica e cansada cantando pausadamente: "quando eu piso em folhas secas/caídas de uma mangueira/ penso na minha escola/ e nos poetas da minha Estação Primeira....."  

Não se sabe se andando ou dançando, Vitória chega até uma pequena mesa, puxa a cadeira, senta-se, pega uma embalagem de cola e começa a colar os cacos de uma xícara antiga de porcelana que, parece, é para ela um objeto de estimação e lembranças. Impossível não chorar.

Leia no blog a crítica de "Vitória", filme que já alcançou a marca de 500 mil espectadores e arrecadou mais de R$ 10 milhões até o momento.


Ficha técnica:
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Paula Fiuza e Breno Silveira
Produção: Conspiração Filmes e coprodução MyMama Entertainment e Globoplay
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: Redes Cineart e Cinemark, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gênero: drama criminal


01 abril 2025

“Câncer com Ascendente em Virgem”: uma obra sobre luta contra o câncer e amor à vida

Suzana Pires é Clara, uma professora diagnosticada com a doença que vai precisar contar com o apoio
da filha e da mãe (Fotos: Mariana Vianna)


Filipe Matheus
Blog Maravilha de Cinema


Dirigido por Rosane Svartman, “Câncer com Ascendente em Virgem”, estrelado por Suzana Pires, em cartaz nos cinemas, aborda a importância da prevenção contra o câncer de mama e de acreditar em si próprio.

Na trama, Clara (Suzana Pires) é professora de matemática e influenciadora educacional, acostumada a ter tudo sob controle. No entanto, ao receber o diagnóstico de câncer de mama, ela precisa aprender a lidar com a incerteza da vida e aceitar que nem tudo pode ser planejado.

Um dos pontos altos do filme é como ele se conecta com as mulheres, promovendo a conscientização sobre a importância da detecção precoce e dos cuidados preventivos. A produção não apenas sensibiliza o público, mas também oferece um processo de cura e reflexão para aqueles que necessitam.


Além de Suzana Pires, o elenco conta com Marieta Severo, Natalia Costa, Carla Cristina Cardoso, Fabiana Carla, Maria Gal, Giovana Lima, Mariana Costa, Ângelo Paes Leme, Arêne Souza, Júlio Conrad, Heitor Martinez e Yuri Marçal. 

Cada um deles imprime grande profundidade a seu personagem, tocando o coração do espectador e reforçando a importância de discutir o tema.

O longa-metragem é inspirado na história da produtora de cinema Clélia Bessa. Durante o tratamento que a curou de um câncer de mama em 2008, ela criou o blog “Estou Com Câncer e Daí”, transformado em livro, publicado pela Editora Cobogó.


A produção também destaca a importância do apoio de familiares e amigos durante o tratamento, abordando a questão do abandono de mulheres com câncer por parte de seus parceiros. 

Esse é um tema delicado, que não poder ser ignorado, pois a solidão de quem enfrenta a doença pode agravar ainda mais a situação.

É imprescindível que todos os postos médicos ofereçam o tratamento adequado e os exames fundamentais. O filme também aborda sobre a importância de lutar pelos direitos e de não deixar para trás algo tão crucial como a saúde.


A música “Tudo Vai Passar”, de Preta Gil, faz parte da trilha sonora do filme. Em janeiro de 2023, a cantora foi diagnosticada com adenocarcinoma no intestino. Após um tratamento intensivo, que incluiu quimioterapia, radioterapia e cirurgia, ela compartilhou sua experiência e lançou a canção, que se tornou um símbolo de superação. 

Mart'Nália também deixa seu recado ma trilha sonora com o sucesso "Fullgás", de Marina Lima.

Vale a pena conferir “Câncer com Ascendente em Virgem” nos cinemas. O longa vai além de um tema popular. Ele explora a importância de cuidar da saúde, de buscar a felicidade e de estar ao lado de quem amamos. Mais do que um filme sobre a mulher, é uma obra emocionante, inspiradora e indispensável.


Ficha técnica:
Direção: Rosane Svartman
Roteiro: Suzana Pires, Martha Mendonça e Pedro Reinato
Produção: Raccord Produções, com coprodução da Globo Filmes e RioFilme
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, comédia

31 março 2025

"Girassol Vermelho": um exagero de estranhezas, metáforas e absurdos que cansam o espectador

Protagonista, interpretado na medida por Chico Díaz, tenta fugir do seu passado entrando num trem misterioso (Fotos: Pandora Filmes)


Mirtes Helena Scalioni


É possível imaginar, mesmo sem nunca ter dirigido um filme, que retratar a obra de Murilo Rubião no cinema é tarefa difícil, quase impossível, mesmo que seja apenas uma homenagem. 

Ao que parece, Eder Santos tentou fazer isso, mesmo caindo na tentação de realizar um longa pesado, até certo ponto incompreensível, obscuro e misterioso, muitas vezes pecando pelo excesso de metáforas. 


Definitivamente, "Girassol Vermelho", livremente inspirado no mineiro Rubião, considerado o precursor do realismo fantástico, não é um filme fácil de assistir. O longa poderá ser conferido a partir do dia 3 de abril nos cinemas.

Se alguém se der ao trabalho de ler a sinopse do filme antes de vê-lo, vai ficar sabendo que Romeu, personagem interpretado na medida por Chico Díaz, tenta fugir do seu passado, entra num trem misterioso, mas para em algum lugar onde, desde o início, é questionado, maltratado e torturado por um sistema opressor que o espectador imagina - apenas imagina - qual seja. Um governo autoritário? A própria consciência de Romeu? Realidade ou pesadelo?


Os personagens vão entrando na história - que não é história - aos poucos. Da mulher de vermelho interpretada por Luiza Lemmertz que faz a dama fatal que atrai o homem para uma armadilha, até uma espécie de Grande Irmão, feito por Daniel Oliveira e que só aparece numa tela. 

Até os indefectíveis homens e mulheres da lei - interpretados por Bárbara Paz, Renato Parara e outros. Também não faltam cenas que parecem ser julgamentos, em que as testemunhas acusam Romeu de ser o homem que pergunta, que questiona, que quer saber.


Saliente-se que o calvário do personagem central se passa em um mesmo local, uma espécie de galpão industrial, constantemente envolto em fumaça - ou seria névoa? 

Com cara de filme experimental, "Girassol Vermelho" parece pecar pelas cenas longas, como a de um jantar onde todos estão sufocados dentro de sacos plásticos, menos Romeu, enquanto garçons servem e retiram pratos e copos. 


Se o objetivo era causar estranheza, o filme codirigido por Thiago Villas Boas atinge sua meta com louvor. Mas dificilmente vai conseguir conquistar o público médio de cinema. 

Mesmo reconhecendo que não se pode esperar algo verossímil a partir da obra de Murilo Rubião, que encantou e encanta leitores mundo afora com seus contos ao mesmo tempo belos e absurdos. No caso do longa, sobraram absurdos, faltou beleza.

PS: há uma única menção ao conto "A Casa do Girassol Vermelho", de Murilo Rubião, bem no início do filme, quando uma mulher lê um primeiro parágrafo para Romeu, assim que ele entra no trem.


Ficha técnica:
Direção: Eder Santos e codireção de Thiago Villas Boas
Roteiro: Mônica Cerqueira
Distribuição: Pandora Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gênero: drama

30 março 2025

Estudantes e professores de BH são premiados por vídeos criativos sobre trânsito

Alunos vencedores da 9ª edição do concurso "O Trânsito e o Valor da Vida" (Foto: PBH/Divulgação)


Da Redação


Alunos e professores do Ensino Médio (regular, EJA e técnico) e do Ensino Fundamental (EJA) foram premiados no concurso de vídeos "O Trânsito e o Valor da Vida", promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da BHTrans e da Superintendência de Mobilidade (Sumob). 

O evento aconteceu no Cine Santa Tereza e o desafio proposto foi trazer um novo olhar sobre a mobilidade urbana, incentivando a conscientização sobre a segurança no trânsito e a preservação da vida. 

Dez alunos e três professores receberam premiação em dinheiro que totalizam R$ 12 mil (divididos entre os alunos e professores), sendo: R$ 6 mil (1º lugar), R$ 4 mil (2º lugar) e R$ 2 mil (3º lugar). Os vencedores desta edição foram: 

1º lugar:- Tema: “Tipos de Motoristas no Trânsito” - 5.901 votos - Alunos: Victor Alves Gomes, Isabela Brandão Coelho, Sofia Ribeiro Araújo, Júlia Sana Moussa, Lucca Agnelo Vilaça - Colégio Santa Maria - Pampulha. Professora: Sheila Rodrigues Marques   


2º lugar: Tema: “Escolhas Corretas no Trânsito” -3.087 votos - Alunos: Miguel Marques de Almeida, Cauã Dias Pedro, Mayra Helena Ferreira Passos, Samara Lucio Estevam - Colégio Elite - Floresta; Professora: Alice Brandão Azevedo Alve

3º lugar: Tema: “Num Piscar de Olhos” - 1.508 votos - Aluno: Marcos Paulo Fune Soares - Escola Estadual Técnico Professor Fontes. Professor Fontes Rômulo José Alves Santos. 

A edição de 2024 do concurso contou com 70 alunos e 45 professores de 35 escolas da capital. Para validar a inscrição, os participantes precisaram publicar um vídeo inédito de até um minuto no Instagram ou TikTok e anexar o material ao formulário disponível no site da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Uma comissão julgadora da Sumob/BHTrans, com apoio de outros órgãos, selecionou os 10 melhores vídeos levando em consideração os seguintes critérios: roteiro, originalidade e qualidade técnica.  

A mobilização também se refletiu no engajamento do público: os vídeos receberam um total de 12.985 votos dos internautas, demonstrando o impacto e a relevância do projeto na conscientização sobre a segurança no trânsito.

                                        2º lugar - Tema: “Escolhas Corretas no Trânsito”

De acordo com a gerente de Educação para a Mobilidade da BHTrans, Maria Augusta Gatti, "além dos estudantes refletirem e aprenderem sobre como se comportar com segurança em seus deslocamentos, eles tornam-se multiplicadores em educação para o trânsito, pois os vídeos produzidos por eles alcançam milhares de pessoas."
 
Inscrições abertas para a edição de 2025

A PBH já está com inscrições abertas para a 10ª edição do concurso de vídeos este ano, que terá o tema: “Caminhando na cidade: pé no chão e olho no trânsito”. Para participar, os alunos, em conjunto com um professor, devem produzir um vídeo, de até um minuto, cujo assunto esteja relacionado ao tema proposto. 

Deverão ser englobados diversos comportamentos dos pedestres no trânsito, como por exemplo: travessia na faixa ou passarelas; uso do celular e fones de ouvido na rua; respeito à sinalização e atenção aos veículos, principalmente motos, durante a travessia. 

Os interessados podem se inscrever até o dia 3 de novembro de 2025 pelo portal pbh.gov.br/bhtrans, onde consta o regulamento e espaço para a inscrição e o envio do vídeo participante. Os vídeos das edições anteriores dos concursos estão disponíveis no canal da BHTrans no YouTube (@OficialBHTrans).

                                        3º lugar: Tema: “Num Piscar de Olhos” 

Serviço:
Inscrição no concurso: portal pbh.gov.br/bhtrans
Data limite: 03/11/2025
Mais informações: e-mail geduc@pbh.gov.br

29 março 2025

Aclamada pela crítica, “Ruptura” suscita reflexões sobre distopias tecnológicas e o mundo do trabalho

Série de 2022 vencedora do Emmy está em sua segunda temporada, sob a direção de Ben Stiller e confirma renovação para a terceira (Fotos: Apple TV+)


Carolina Vas


(O seguinte texto contém alguns spoilers da segunda temporada)

“Trabalho é só trabalho, não é?” A frase dita pelo protagonista Mark (Adam Scott) ilustra uma das principais discussões da série "Ruptura" ("Severance"), idealizada por Dan Erickson e dirigida por Ben Stiller.

A produção da Apple TV+, que estreou em 2022, é centrada na vida de funcionários da Lumon Industries, empresa que realiza um procedimento cirúrgico extremo, cujo objetivo é separar as memórias pessoais das profissionais. 

Essa prática leva à formação de duas personalidades distintas: o “interno”, que só possui lembranças relacionadas ao trabalho, e o “externo”, que não tem conhecimento das atividades associadas ao ambiente corporativo. 


Lançada em 2025 (o último episódio foi disponibilizado em 21 de março), a segunda temporada de "Ruptura" segue explorando as diferentes realidades desse grupo e investiga com mais detalhes a construção psicológica dos personagens. 

A série, que acaba de ser renovada para uma terceira temporada, é repleta de elementos complexos e, por isso, avisamos que esta crítica certamente não conseguirá abordar todos os temas relevantes para a história. 

Na primeira parte, acompanhamos as histórias de Mark, Helly (Britt Lower), Irving (John Turturro) e Dylan (Zach Cherry), funcionários do departamento de Refinamento de Macrodados. Cada um lida de forma diferente com a ruptura, mas, aos poucos, todos começam a questionar os objetivos da empresa. 


Já a segunda temporada, passados alguns meses após os eventos iniciais, é centrada nas implicações da “Revolta do Macrodat”, uma manifestação dos empregados contra as condições de trabalho na Lumon, evidenciando ainda mais os conflitos entre as diferentes versões dos funcionários.

Uma das principais perguntas que surgem – desde os primeiros episódios – diz respeito às motivações dos que optam por realizar a ruptura: por que alguém escolheria fazer um procedimento tão violento, dividindo a própria memória? 

As respostas são diversas, a depender da situação de cada personagem. Quanto a Mark, por exemplo, compreende-se que o protagonista tomou essa decisão por não conseguir lidar com o trauma de ter perdido sua esposa, Gemma (Dichen Lachman). 


Nesse sentido, a série também reflete sobre como as pessoas realizam ações extremas para não lidar com sentimentos considerados “negativos”, especialmente numa cultura em que se deve ostentar felicidade. 

Além disso, é notável o fato de que, antes de realizar o procedimento, Mark era professor de história, campo que trabalha a partir da memória – e, mesmo assim, ele opta por fragmentar suas lembranças.

Logo a partir da sinopse, pode-se observar que a produção reflete não apenas acerca de distopias tecnológicas, mas também sobre o mundo do trabalho. Na sociedade atual, uma das primeiras perguntas que fazemos uns aos outros é: “O que você faz?” – ou seja, “com o que você trabalha?”. 


Dessa maneira, o universo da série é sim bastante distópico, mas também é fato que muitas das discussões são pertinentes ao modo de vida contemporâneo. 

Algumas empresas empregam medidas bastante similares às da Lumon: discursos extremamente produtivistas, políticas superficiais de inclusão (que não alteram a estrutura da desigualdade) e a imposição irritante de atividades “divertidas” para os funcionários.

Podemos identificar muitos diálogos com debates sobre a precarização do trabalho, considerando, por exemplo, o conceito de “Capitalismo 24/7”, desenvolvido por Jonathan Crary. Para o pesquisador, o sistema econômico vigente promove uma lógica de funcionamento acelerado, em que o tempo para descanso é cada vez mais desvalorizado.


Em "Ruptura", existe uma versão dos personagens que de fato vive a realidade 24/7: para eles, a existência é necessariamente voltada para a cultura produtivista.

Como esperado, as discussões sobre o ambiente corporativo também estão presentes na segunda temporada. Cobel (Patricia Arquette) é uma das personagens que tem a identidade significativamente associada ao trabalho, mesmo sem ter realizado a ruptura. 

A partir do momento em que não está mais empregada na Lumon, ela se encontra bastante perturbada e precisa buscar uma nova identidade. No episódio “Sweet Vitrols”, o espectador pode conhecer mais sobre a história da personagem, que passou a integrar a Lumon desde muito jovem e, ao longo do tempo, foi sendo cada vez menos reconhecida pelos líderes da empresa. 


Ambientado numa cidade costeira, o capítulo apresenta planos impressionantes e é bastante eficiente em retratar o isolamento do local (e da personagem). 

É interessante observar que alguns episódios dessa temporada são primordialmente ambientados em espaços externos, o que não ocorre na primeira temporada (mais focada nas atividades dos “internos”). 

Nesse sentido, os capítulos recentes representam bem esse embate entre as versões “externas” e “internas” dos personagens, destacando as diferenças que marcam os dois mundos. 

Ao longo dos episódios, a maior parte dos funcionários de fato entra em conflito com suas respectivas identidades. Mark, por exemplo, sofre ao passar por um processo de “reintegração”, enquanto Helly questiona o próprio papel na empresa, se opondo aos ideais de sua “externa”. 

Outros personagens, como Irving e Dylan, começam a buscar mais respostas sobre os objetivos da Lumon. 


De forma geral, a segunda temporada segue sendo esteticamente notável, com escolhas visuais que reforçam a atmosfera perturbadora da série. Os episódios recentes foram reconhecidos pela crítica: no Rotten Tomatoes, "Ruptura" atualmente está com 95% de aprovação, índice que destaca a qualidade da série. 

As atuações merecem destaque: Adam Scott protagoniza cenas difíceis, expressando com excelência as muitas angústias de seus dois personagens. Por sua vez, Patricia Arquette continua construindo uma personagem única e bastante complexa. 

Na emissão "The Severance Podcast" (comandada por Ben Stiller e Adam Scott), a atriz conta que participou de todo o processo de composição da personagem, sugerindo a cor do cabelo de Cobel (um loiro platinado, bastante frio e opaco) e construindo a entonação característica da funcionária da Lumon. 


No que diz respeito à terceira temporada, muitas perguntas ainda devem ser respondidas: o que acontecerá com Mark e Helly? Haverá uma resistência dos internos à Lumon? Como será esse movimento? Milchik também irá se opor à empresa? 

Mesmo que ainda tenhamos muitas dúvidas, os episódios explicam melhor as motivações dos personagens principais e, ainda, reforçam a nossa torcida para que mais funcionários se revoltem contra as condições de exploração. 

A partir do exagero, a série nos auxilia a compreender discussões presentes na nossa própria sociedade, cujos ideais produtivistas também são significativamente bizarros.


Ficha técnica:
Direção: Ben Stiller
Produção: Apple TV+
Exibição: Apple TV+
Duração: média de 44 minutos na 1ª temporada (com 9 episódios) e média de 49 minutos na 2ª temporada (10 episódios)
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gênero: suspense

28 março 2025

Restaurado, longa "Onda Nova" usa o futebol feminino para discutir preconceito e liberdade sexual

Censurado pela Ditadura em 1983, comédia erótica narra a história das jogadores do Gayvotas Futebol Clube (Fotos: Divulgação)


Wallace Graciano


Relançamentos de obras costumam causar um impacto pela mensagem que será passada em um período completamente antagônico do que fora outrora. 

Mas "Onda Nova", clássico de 1983, volta às telonas justamente querendo costurar passado e presente, representando uma nova visão de liberdade e questionando valores conservadores, agora com traços restaurados em 4k. O filme está em cartaz no Cine Una Belas Artes.


Na trama, "Onda Nova" apresenta o Gayvotas Futebol Clube, um time feminino que utiliza o futebol como pano de fundo para explorar temas como liberdade sexual e ocupação de espaços tradicionalmente masculinos. 

O filme se destaca pela fotografia vibrante, com cores saturadas e enquadramentos ousados, que alternam entre closes íntimos e planos abertos do cenário urbano.


A direção do filme combina elementos da Nouvelle Vague francesa e do cinema marginal brasileiro, resultando em uma montagem ágil e uma trilha sonora que mescla rock e música popular brasileira, incluindo nomes como Tim Maia, que sintetiza com sua voz potente tudo o que a obra deseja causar. 

Quando falamos de atuações, aí temos outro ponto marcante, com cenas que transitam entre o drama e a comédia, em que Regina Casé, Carla Camurati e Vera Zimmermann passam ao espectador um real entusiasmo por estarem naquela obra de transgressão.


O filme aborda a nudez de forma natural, sem apelo voyeurístico, e retrata a diversidade sexual de maneira orgânica. "Onda Nova" foi censurado em 1983 pela ditadura e, mesmo em 2025, ainda gera debates sobre a representação da sexualidade no cinema.

A restauração em 4K do filme evidencia a qualidade da fotografia e da direção, resgatando a importância da obra como um marco do cinema brasileiro. 

"Onda Nova" transcende a nostalgia, apresentando-se como um filme relevante para discussões contemporâneas sobre feminismo, liberdade sexual e a necessidade de produções cinematográficas que desafiem convenções.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Ícaro Martins e José Antonio Garcia
Restauração: Julia Duarte, Aclara Produções Artísticas, família de José Antonio Garcia, com apoio da Cinemateca Brasileira, Zumbi Post e JLS Facilidades Sonoras
Produção: Olympus Filme
Distribuição: Vitrine Filmes e Tanto Filmes
Exibição: sala 3 do Una Cine Belas Artes, sessão às 18h50
Duração: 1h44
Classificação: 18 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia erótica, drama

27 março 2025

Jason Statham e Sylvester Stallone se unem novamente para um "Resgate Implacável"

Longa de muita ação reúne novamente o ator e diretor David Ayer, em nova produção no estilo "não
mexa com a minha família" (Fotos: Amazon MGM Studios)


Maristela Bretas


Muitos tiros, a porrada comendo solta e bombas pra fazerem inveja a muita guerra real, com sequências de explosões impressionantes (haja granada!). Não poderia ser diferente no novo filme estrelado por Jason Statham e produzido por ele e Sylvester Stallone, que também assina o roteiro. 

"Resgate Implacável" ("A Working Man") é um longa de muita ação dirigido por David Ayer, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas para os fãs da dupla.

Seguindo a linha de outros filmes de ação do ator, como "Beekeeper: Rede de Vingança" (2024), também dirigido por Ayer, o longa conta a história de Levon Cade (Statham), um ex-militar das forças especiais do Exército britânico. 


Depois de muitos anos lutando em guerras e contra terroristas, ele larga tudo, se muda para Chicago e vai trabalhar para a construtora de Joe Garcia (Michael Peña), que o trata como membro da família. 

Mas o sequestro de Jenny (Arianna Rivas), a filha adolescente de Joe, por traficantes de mulheres faz com que Levon retome sua antiga vida e use suas habilidades e, até mesmo, alguns métodos de persuasão bem violentos para recuperar a jovem. 

Além dos traficantes, o ex-militar ainda enfrentará policiais corruptos, gangues de motoqueiros e a ameaça da máfia russa a sua filha e amigos. E vai mostrar que nunca deveriam ter mexido com sua família.


O filme é bom e pode agradar aos fãs do ator. O estilo de roteiro permanece o mesmo e até os rostos dos traficantes são familiares, alguns já tendo interpretado papéis semelhantes em outras produções do gênero, como Jason Flemyng, Maximillian Osinski e Cokey Falkow. 

Falha ao aproveitar pouco David Harbour, no papel de um dos amigos de Levon dos tempos de guerra que ficou cego. O ator já mostrou que sabe usar bem uma marreta até mesmo como Papai Noel ("Noite Infeliz" - 2022), e seria muito bem aproveitado na caçada aos traficantes. 


"Resgate Implacável" tem várias cenas aéreas noturnas, explora muito locais escuros como becos, boates, bares, casas de jogos, que ajudam a caracterizar os esconderijos e locais de atuação dos criminosos e onde serão caçados por Levon. 

Já as cenas durante o dia são do ex-militar em seu trabalho, com a família e os amigos, apresentando um comportamento relativamente mais tranquilo.

Quem pensou nos figurinos dos mafiosos russos queria ridicularizar a organização, com uma variedade extravagante de vestimentas. Os chefões usam ternos e sobretudos pretos, bem sisudos. Um deles carrega uma bengala adornada com caveira, e se porta como um Conde Drácula. 

Um dos “clientes de mulheres traficadas” é bem caricato e sua roupa e rosto lembram muito o nosso saudoso José Mojica Marins, o "Zé do Caixão", que era bem melhor. 


Já os membros mais jovens do grupo se destacam por trajes muito coloridos e ridículos, achando que estão abafando com sua coleção própria. Chegam a ser engraçados, verdadeiros palhaços menosprezados até mesmo pela poderosa "família" russa.

O filme é baseado no livro "Levon’s Trade", de Chuck Dixon, e, como de costume, apresenta uma narrativa focada na ação de um homem só. Um herói sem superpoderes, especialista em lutas e no manejo de diversas armas, com conhecimento em tecnologia, que lutará contra tudo e contra todos para cumprir sua missão, sem se importar com as consequências. Vale a pena conferir.


Ficha técnica:
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer e Sylvester Stallone
Produção: Amazon MGM Studios, Black Bear, Cedar Park, Punch Palace Productions, e Balboa Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: ação, suspense

25 março 2025

"Quando Chega o Outono" explora a complexidade das relações humanas e seus segredos

François Ozon volta às telonas com um drama para prender o público com mistérios intrigantes
(Fotos: Pandora Filmes)


Eduardo Jr.


No outono caem as folhas que mascaram as árvores, e o clima festivo e solar do verão começa a esmaecer. Em "Quando Chega o Outono" ("Quand Vint L'Automne") novo filme de François Ozon, essa metáfora nos provoca sobre as máscaras de cada personagem e a opção por não jogar luz sobre determinados atos. O longa chega aos cinemas brasileiros dia 27 de março, com distribuição da Pandora Filmes. 

O diretor francês, que já filmou comédias, suspenses e musicais, agora oferece um drama que se debruça sobre a complexidade das relações humanas, promovendo um jogo sobre os segredos, traumas e atitudes de cada um perante determinadas situações. Destaque também para a bela fotografia, que explora muito bem as paisagens e cores fortes do Outono.


Na trama, as histórias de duas famílias se entrelaçam por conta de acontecimentos que deixam o público em suspense. De um lado está Michelle (personagem da ótima Hélène Vincent). Moradora de um vilarejo da Borgonha, ela está ansiosa para passar alguns dias na companhia do neto, Lucas (Garlan Erlos). 

Quem vai levar o garoto para a casa da avó é a mãe dele, Valérie (Ludivine Sagnier, que trabalhou com Ozon em "Swimming Pool - À Beira da Piscina" - 2003). Na casa próxima está Marie Claude (Josiane Balasko), melhor amiga de Michelle, que a ajuda a colher cogumelos para o almoço das visitas. 


A relação entre Michelle e Valérie não é nada boa, e piora quando a filha vai parar num hospital após acidentalmente comer cogumelos envenenados na casa da mãe. Quem apoia a avó de Lucas neste episódio é Marie-Claude, cujo filho acaba de sair da prisão, o misterioso Vincent (Pierre Lottin), personagem central no andamento da trama. 

Vincent conhece Valérie desde a infância e vai atrás dela para tentar ajudar Michelle, que o acolheu e ofereceu trabalho ao ex-presidiário. Mas o encontro entre os dois é o ponto que vai movimentar a vida de todas as personagens.


Por que mãe e filha têm uma relação tão difícil? Existe de fato um culpado nos eventos do filme? Será que as consequências foram todas planejadas ou são apenas frutos do destino? Proteger alguém é algo que se faz naturalmente ou por interesse? Será que a inocência das pessoas apenas parece estar presente ou é genuína? Ozon provoca o espectador a refletir sobre os mistérios ali contidos, questionar, duvidar - e até julgar, afinal, é o que todos fazemos. 


Atos do passado, culpa, solidão, amizade, manipulação, crime, segredos, velhice, afeto, redenção... Tudo isso compõe o pacote de reflexões que François Ozon nos lança nesta obra. E as respostas podem estar não no fim, mas no início do filme (fica a dica). 

Assim como na estação em que as folhas caem, reduzindo a sombra da copa das árvores, em "Quando Chega o Outono" resta aos personagens aceitar que não há sombra que os impeça de encarar seus próprios segredos.


Ficha Técnica:
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon e Philippe Piazzo
Duração: 1h42
Produção: Foz
Distribuição: Pandora Filmes
Classificação: 14 anos
País: França
Gêneros: drama, suspense