02 abril 2025

Impossível não se emocionar com Fernanda Montenegro em "Vitória"

Atriz transforma sua expressão para levar o espectador a uma infinita gama de emoções (Fotos: Sony Pictures)


Mirtes Helena Scalioni


No filme "Vitória", em cartaz nos cinemas, Fernanda Montenegro faz jus - com louvor - ao apelido que recebeu, anos atrás, de um crítico: "cara de borracha". 

A alcunha, justificada pela facilidade e naturalidade com que a atriz transforma sua expressão para levar o espectador a uma infinita gama de emoções, tem, no longa dirigido por Andrucha Waddington uma amostra perfeita. 

O caso da mulher corajosa que, da janela de sua pequena quitinete em Copacabana, filma o movimento cotidiano de traficantes de drogas, usuários e policiais na favela ao lado, é, lógico, uma ótima história.

Leia no blog a crítica de "Vitória", filme que já alcançou a marca de 500 mil espectadores e arrecadou mais de R$ 10 milhões até o momento.


Mas talvez não tivesse se transformado no excelente filme que é se não tivesse a nossa Fernandona no papel principal. Há sim, pequenas e valiosas participações, mas a atriz, da altura dos seus 95 anos, consegue se superar, mesmo estando sozinha na tela na maior parte da produção. 

Estão no elenco Linn da Quebrada, Sacha Bali, Silvio Quindane, Laila Garin, Thelmo Fernandes, Alan Rocha, Thawan Lucas e outros. Raras atrizes conseguiriam o feito de Fernanda em "Vitória". É que ela, mesmo estando só, faz o jogo de cena - se é que isso seja humanamente possível. 


Não bastasse o talento da artista exibido em simples e corriqueiros diálogos com a caixa do supermercado, o sargento que a atende numa delegacia ou o porteiro do seu prédio, há situações em que ela, mesmo em silêncio, atua. 

Sim, Fernanda Montenegro consegue - acreditem - contracenar com um bolo, uma xícara, uma janela. Olhares, expressões de corpo, meneios e jeitos permitem que o espectador leia - e sinta - com ela: compaixão, medo, angústia, raiva, afeto, pavor, desconfiança, abandono.  

"Eles Não Usam Black-tie"(Reprodução)

Muito se fala da tal cena do feijão, do filme "Eles Não Usam Black-tie", quando Fernanda Montenegro (sempre ela) e Gianfrancesco Guarnieri, sentados à mesa, num momento delicado e carregado de conflitos para aquela família, e em silêncio, escolhem e separam feijões antes de colocá-los na panela. 

O filme, de 1981, foi dirigido por Leon Hirszman e essa espécie de pausa se transformou numa das tomadas mais famosas e icônicas do cinema brasileiro.


Pois em "Vitória", pode-se dizer que há algo semelhante, em um momento também cheio de significados para a história de solidão e abandono da personagem. 

Lentamente, ela vai até uma vitrolinha num canto da sala e, com cuidado, leva o braço do aparelho até um LP. Pequenos acordes de violão e o que se ouve a seguir é Nelson Cavaquinho, com aquela sua voz característica e cansada cantando pausadamente: "quando eu piso em folhas secas/caídas de uma mangueira/ penso na minha escola/ e nos poetas da minha Estação Primeira....."  

Não se sabe se andando ou dançando, Vitória chega até uma pequena mesa, puxa a cadeira, senta-se, pega uma embalagem de cola e começa a colar os cacos de uma xícara antiga de porcelana que, parece, é para ela um objeto de estimação e lembranças. Impossível não chorar.


Ficha técnica:
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Paula Fiuza e Breno Silveira
Produção: Conspiração Filmes e coprodução MyMama Entertainment e Globoplay
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: Redes Cineart e Cinemark, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gênero: drama criminal


01 abril 2025

“Câncer com Ascendente em Virgem”: uma obra sobre luta contra o câncer e amor à vida

Suzana Pires é Clara, uma professora diagnosticada com a doença que vai precisar contar com o apoio
da filha e da mãe (Fotos: Mariana Vianna)


Filipe Matheus
Blog Maravilha de Cinema


Dirigido por Rosane Svartman, “Câncer com Ascendente em Virgem”, estrelado por Suzana Pires, em cartaz nos cinemas, aborda a importância da prevenção contra o câncer de mama e de acreditar em si próprio.

Na trama, Clara (Suzana Pires) é professora de matemática e influenciadora educacional, acostumada a ter tudo sob controle. No entanto, ao receber o diagnóstico de câncer de mama, ela precisa aprender a lidar com a incerteza da vida e aceitar que nem tudo pode ser planejado.

Um dos pontos altos do filme é como ele se conecta com as mulheres, promovendo a conscientização sobre a importância da detecção precoce e dos cuidados preventivos. A produção não apenas sensibiliza o público, mas também oferece um processo de cura e reflexão para aqueles que necessitam.


Além de Suzana Pires, o elenco conta com Marieta Severo, Natalia Costa, Carla Cristina Cardoso, Fabiana Carla, Maria Gal, Giovana Lima, Mariana Costa, Ângelo Paes Leme, Arêne Souza, Júlio Conrad, Heitor Martinez e Yuri Marçal. 

Cada um deles imprime grande profundidade a seu personagem, tocando o coração do espectador e reforçando a importância de discutir o tema.

O longa-metragem é inspirado na história da produtora de cinema Clélia Bessa. Durante o tratamento que a curou de um câncer de mama em 2008, ela criou o blog “Estou Com Câncer e Daí”, transformado em livro, publicado pela Editora Cobogó.


A produção também destaca a importância do apoio de familiares e amigos durante o tratamento, abordando a questão do abandono de mulheres com câncer por parte de seus parceiros. 

Esse é um tema delicado, que não poder ser ignorado, pois a solidão de quem enfrenta a doença pode agravar ainda mais a situação.

É imprescindível que todos os postos médicos ofereçam o tratamento adequado e os exames fundamentais. O filme também aborda sobre a importância de lutar pelos direitos e de não deixar para trás algo tão crucial como a saúde.


A música “Tudo Vai Passar”, de Preta Gil, faz parte da trilha sonora do filme. Em janeiro de 2023, a cantora foi diagnosticada com adenocarcinoma no intestino. Após um tratamento intensivo, que incluiu quimioterapia, radioterapia e cirurgia, ela compartilhou sua experiência e lançou a canção, que se tornou um símbolo de superação. 

Mart'Nália também deixa seu recado ma trilha sonora com o sucesso "Fullgás", de Marina Lima.

Vale a pena conferir “Câncer com Ascendente em Virgem” nos cinemas. O longa vai além de um tema popular. Ele explora a importância de cuidar da saúde, de buscar a felicidade e de estar ao lado de quem amamos. Mais do que um filme sobre a mulher, é uma obra emocionante, inspiradora e indispensável.


Ficha técnica:
Direção: Rosane Svartman
Roteiro: Suzana Pires, Martha Mendonça e Pedro Reinato
Produção: Raccord Produções, com coprodução da Globo Filmes e RioFilme
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, comédia