04 abril 2025

"MMA: Meu Melhor Amigo" estreia no streaming e traz importante mensagem sobre o autismo

Marcos Mion é o protagonista deste filme que mostra os desafios e as singularidades das pessoas com
este transtorno de espectro (Fotos: Globo Filmes)


Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema


"MMA: Meu Melhor Amigo", novo longa protagonizado por Marcos Mion e direção de José Alvarenga Jr., estreou no Disney+ e na Globoplay após ficar pouco tempo nos cinemas. Trazendo uma combinação inusitada de luta e discussão sobre o autismo, o filme aborda, de forma sensível, os desafios e as singularidades das pessoas com este transtorno de espectro, além de conscientizar o público sobre a importância do afeto e da paciência no relacionamento com elas.

Na trama, conhecemos Max Machadada (Marcos Mion), um renomado campeão de MMA em declínio, afastado dos ringues devido a uma séria lesão no ombro. No momento em que descobre ser pai de Bruno, um menino autista de oito anos, Max enfrenta dois desafios cruciais: aprender a compreender e conquistar o carinho de seu filho e se preparar para a luta mais importante de sua vida — o retorno definitivo a sua carreira. 


Entre o treinamento físico e emocional, Max se esforça para se transformar no pai que Bruno precisa, enquanto tenta reerguer sua própria história. Marcos Mion entrega uma atuação segura, fugindo de seus bordões habituais e se dedicando a nuances que aproximam o espectador do personagem. 

O filme faz referências sutis a Rocky Balboa, mas se afasta do universo do boxe para mergulhar na luta livre. Mion também contribui no roteiro, reforçando seu compromisso com a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tema que ele conhece bem por ter um filho na vida real, Romeo, com este distúrbio do neurodesenvolvimento.


O elenco de apoio brilha ao complementar a jornada de Max. Vanessa Giácomo tem um papel pequeno, mas significativo, ajudando a trama a avançar. Antônio Fagundes, como o pai de Max, constrói uma relação complexa marcada por conflitos e resquícios do passado. 

Andréia Horta interpreta Laís, mãe do garoto, uma figura forte e cheia de camadas, que oferece suporte prático e emocional ao protagonista, além de educá-lo sobre as necessidades de Bruno.

A direção acerta ao equilibrar o drama familiar com as cenas de treinamento e luta. O roteiro de José Alvarenga Jr. aprofunda o conflito entre as responsabilidades de Max como pai e atleta, enquanto explora temas como a interação de Bruno (interpretado por Guilherme Tavares) com outras crianças, sua percepção sensorial diferenciada, e a importância do cuidado paciente e amoroso. O jovem acrescenta leveza e humanidade à narrativa.


Os pontos fracos do filme são as coreografias mal feitas das lutas e a conclusão da história. Apesar de coesa, a narrativa finaliza de forma abrupta, deixando em aberto a evolução dos personagens após a tão aguardada luta. O desfecho, ao focar na relação de Max com seu filho, poderia ter explorado mais o impacto dessa jornada na vida dos dois. 

"MMA: Meu Melhor Amigo" é um filme simples, repleto de clichês, mas que se destaca pela humanidade e sensibilidade com que aborda o universo autista. Marcos Mion se firma como um porta-voz da causa, transmitindo uma mensagem poderosa sobre convivência, empatia e superação. 

A obra não só conscientiza o público, mas também celebra as diferenças, mostrando que lidar com pessoas no espectro autista exige paciência, respeito e, acima de tudo, amor.
 

Ficha técnica:
Direção: José Alvarenga Júnior
Roteiro e Argumento/Criação: Marcos Mion e Paulo Cursino
Produção: Globo Filmes, Formata Produções e Conteúdo, Star Original Productions
Distribuição: Star Distribution Brasil
Exibição: Globoplay e Disney+
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

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