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15 março 2025

"Vitória", mais um brilhante trabalho da insuperável Fernanda Montenegro

Filme conta a história de uma idosa que filmou e denunciou o tráfico e a corrupção policial na comunidade
 ao lado de seu prédio (Fotos: Sony Pictures)


Maristela Bretas


Para a diva do teatro, TV e cinema, Fernanda Montenegro, parar de atuar é uma situação que está longe de acontecer. Depois de encerrar, com perfeição, o sucesso "Ainda Estou Aqui" no papel de Eunice Paiva no final da vida, a atriz estreou essa semana nos cinemas o filme “Vitória", do diretor Andrucha Waddington ("Sob Pressão" - 2016).

E o público pode esperar mais da Fernandona, como é carinhosamente chamada. É dela a narração perfeita e pontuada do emocionante documentário "Milton Bituca Nascimento", que estreia dia 20 nos cinemas. Este está sendo, definitivamente, o ano das 'Fernandas', Montenegro e Torres, mãe e filha.


"Vitória" conta a história de coragem, força e resiliência da idosa Joana Zeferino da Paz, a Dona Nina. Cansada de assistir à rotina diária de traficantes e policiais corruptos que aterrorizavam a comunidade ao lado de seu apartamento em Copacabana, ela decide filmar e denunciar às autoridades tudo o que acontece no local. Sua denúncia colocou fim a esse esquema na época.

Idosa, sozinha e de poucos, mas fiéis amigos, não admitia injustiças, especialmente contra crianças. Seu protegido foi Marcinho (ótima atuação de Thawan Lucas), o garoto que ela tentou proteger da influência do tráfico. Uma frase dita por Dona Nina exemplifica bem sua posição: "O perigo não vem das crianças, vem da janela". 


A verdadeira Dona Vitória poderia se chamar Maria, como muitas outras mulheres comuns. "Teve força, raça e gana sempre", como diria Milton Nascimento. Alagoana, negra, aposentada e sempre batalhadora, aos 80 anos se cansou de conviver com a violência e o descaso das autoridades e resolveu agir.

Para ela, era um absurdo as pessoas se calarem diante de tanta corrupção, e a ideia de filmar o que acontecia foi a forma de conseguir provas para denunciar a situação, mesmo que isso significasse colocar sua vida em risco. 

Na busca pela paz e pelo fim dos tiroteios e balas perdidas diários que atingiam prédios e moradores, ela iniciou sua cruzada contando com o apoio do jornalista Fábio Godoy, muito bem interpretado por Alan Rocha. 


Destaque também para Linn da Quebrada, no papel de Bibiana, a moradora trans do prédio, que também se torna amiga de Dona Nina. No elenco temos ainda Laila Garin (a inspetora de Polícia Laura Torres), Thelmo Fernandes (o síndico Seu Osvaldo) e Marcio Ricciardi (Major Messias).

Chamam atenção também no filme as belas imagens de Copacabana, com suas praias e calçadões, em contraste com o cotidiano da violência armada dos morros, tão próximos. 

O som também é ponto importante na narrativa, desde o barulho do trânsito caótico das ruas, às velhas canções da MPB tocadas na vitrola de Dona Nina. E o mais angustiante deles, o das rajadas de metralhadoras e gritos que cortam a noite na vizinhança.


De Nina para Vitória

Mas, por que o nome Vitória? Após as denúncias feitas ao alto escalão da polícia e a história com as provas ser publicada nos jornais, Dona Nina precisou ganhar nova identidade, entrou para o Programa de Proteção às Testemunhas, mudou de endereço e passou a se chamar Vitória Joana da Paz. 

O filme é uma adaptação livre do livro "Dona Vitória Joana da Paz" do jornalista Fábio Gusmão, que publicou o caso em 24 de agosto de 2005, mas só revelou a nova identidade da personagem após sua morte em fevereiro de 2023, no livro. 

Segundo o autor, era desejo de Dona Vitória ser interpretada no cinema por Fernanda Montenegro, uma de suas atrizes favoritas.

A verdadeira Dona Vitória (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de ser uma determinação por causa da proteção legal, a não divulgação foi uma promessa feita à amiga, mesmo Dona Vitória não se importando em ter o nome divulgado. Para ela, perder a identidade original era mais uma das muitas perdas sofridas ao longo da vida.

O cotidiano de solidão, falas e caminhadas mais lentas mostram bem a vida de Vitória, para quem uma simples xícara quebrada tinha um significado muito especial. Em vários momentos da trama, ela está tentando colar os pedaços da antiga peça de porcelana, como se estivesse fazendo o mesmo com sua vida. 

A velhice e a possibilidade de perder o pouco que tinha se refletem nos cacos da xícara que nunca mais vai ficar perfeita. Como ela.


"Vitória" é envolvente, tenso, real e atual ao abordar a criminalidade, o desrespeito aos idosos e a solidão. Fernanda Montenegro se expõe sem esconder as marcas e restrições na fala e movimentos de seus bem-vividos 95 anos. São estas características que reforçam e tornam sua interpretação mais forte e emocionante.

O roteiro do longa é assinado por Paula Fiuza e direção inicial de Breno Silveira, que infelizmente faleceu no início das filmagens. Foi substituído por Andrucha Waddington, que entregou um grande trabalho.

Assistir Fernanda Montenegro em ação é uma oportunidade imperdível, mais ainda três vezes no mesmo ano. Recomendo conferir nos cinemas os três filmes - "Ainda Estou Aqui", "Vitória" e, na próxima semana, "Milton Bituca Nascimento".


Ficha técnica:
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Paula Fiuza e Breno Silveira
Produção: Conspiração Filmes e coprodução MyMama Entertainment e Globoplay
Distribuição: Sony Pictures
Classificação: 16 anos
Exibição: nos cinemas
País: Brasil
Gêneros: drama criminal

03 março 2025

Deu Brasil! "Ainda Estou Aqui" ganha o Oscar de Melhor Filme Internacional

Filme de Walter Salles conquistou a estatueta pela primeira vez para o Brasil e tem Fernanda Torres e
Selton Mello no elenco (Montagem sobre foto de Alile Dara Onawales)


Maristela Bretas


Brasil, Brasil, Brasil. E não é com "Z", mas com "S". "Ainda Estou Aqui" conquista seu primeiro Oscar e é eleito "Melhor Filme Internacional" na 97ª edição. A atriz Penélope Cruz entregou a estatueta ao diretor Walter Salles, que a dedicou a Eunice Paiva e Fernanda Torres, que a interpretou na produção.

"Ainda Estou Aqui" concorreu também nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. A obra já levou mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas e concorreu com “Emilia Pérez” (França), “Flow” (Letônia), “A Garota da Agulha” (Dinamarca) e “A Semente do Fruto Sagrado” (Alemanha).

"Ainda Estou Aqui" (Foto: Alile Dara Onawales)

O filme brasileiro é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice e Rubens Paiva. Ele trata da força da mãe em assumir a liderança da família de cinco filhos e sua resistência para lutar em busca de informações sobre o marido (interpretado por Selton Mello), levado pelas forças da Ditadura Militar dos anos 1970 e que nunca foi encontrado.

Pouco antes da cerimônia, no Tapete Vermelho, Fernanda Torres, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, agradeceu o apoio dos brasileiros e elogiou Eunice Paiva e Walter Salles. Ela disse que "o Brasil é um país muito afetuoso e no filme de Walter Salles as pessoas são tocadas". 

Walter Salles também falou que "Ainda Estou Aqui" é uma celebração da cultura brasileira e que estava muito honrado em representar esse Brasil que vale a pena.


A cerimônia do Oscar

O Oscar 2025 foi realizado nesse domingo de carnaval, diretamente do Teatro Dolby, em Los Angeles, na Califórnia. A cerimônia foi aberta com uma bela montagem de antigos e novos filmes vencedores da premiação. 

Ariana Grande interpretou "Somewhere Over the Rainbow", tema de "O Mágico de Oz", e Cynthia Erivo cantou "Home". A dupla encerrou as performances musicais com "Defying Gravity", da trilha sonora de "Wicked", e foi aplaudida de pé.

"Wicked" (Fotos: Universal Pictures)

Utilizando imagens do filme "A Substância", o comediante nada engraçado Conan O'Brien foi o apresentador da solenidade pela primeira vez. Ele chamou Robert Downey Jr. para anunciar o primeiro vencedor, Kieran Culkin, como Melhor Ator Coadjuvante pelo filme "A Verdadeira Dor'.

Goldie Hawn e Andy Garfiled anunciaram o Melhor Filme de Animação e, como era esperado, a estatueta saiu para "Flow", produzido na Letônia. Também entregaram o prêmio de Melhor Curta-Metragem em Animação para o iraniano "In the Shadow of the Cypress".

A estatueta de Melhor Figurino saiu para Paul Tazewell, do filme "Wicked", que agradeceu pela honra de ser o primeiro figurinista negro a receber este prêmio na categoria.

"Flow" (Foto: Sacrebleau Productions)

Halle Berry anunciou os homenageados de Hollywood deste ano - os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson -, responsáveis pela franquia 007. 

Foi apresentada uma coletânea dos 62 anos de filmes do espião James Bond, além de performances das trilhas sonoras com diversas cantoras. Em toda a sua trajetória, o famoso espião com licença para matar foi vivido por sete atores diferentes e conquistou seis Oscars. 

Mike Jagger foi uma das surpresas da noite, subindo ao palco para anunciar "El Mal", da trilha sonora de "Emilia Pérez" como Melhor Canção Original. 

"Duna: Parte 2" (Foto: Warner Bros. Pictures)

Representantes do Corpo de Bombeiros de Los Angeles também foram chamados e aplaudidos de pé numa homenagem da Academia por seu trabalho no combate aos incêndios que atingiram a cidade em janeiro deste ano.

"Duna: Parte 2" confirmou as apostas que davam como certa sua vitória em duas categorias técnicas, como Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais.

Morgan Freeman apresentou o quadro In Memorian, que relembrou nomes de astros, diretores e pessoas do cinema que faleceram em 2024 e 2025. Como o de seu grande amigo Gene Hackman, falecido na semana passada, além de Maggie Smith, Kris Kristofferson, Louis Gosset Jr., Gena Rowland, James Earl Jones, David Linch, entre outros.

"Anora" (Foto: Universal Pictures)

Outro homenageado da noite, desta vez por Oprah Winfrey e Woopy Goldberg, foi o produtor musical, compositor, empresário e maestro Quincy Jones. Coube a Queen Latifah a interpretação de "Ease On Down the Road", uma das composições de Jones. 

Quentin Tarantino anunciou o Melhor Diretor, entregando a estatueta a Sean Baker por "Anora". A duplamente vencedora do Oscar, Emma Stone, anunciou Mikey Madison como Melhor Atriz em "Anora". O filme também conquistou a maior categoria do Oscar, vencendo como Melhor Filme.

Confira a lista dos vencedores

Melhor Filme: "Anora"
Melhor Filme Internacional: "Ainda Estou Aqui" (Brasil)
Melhor Direção: Sean Baker - "Anora"
Melhor Atriz: Mikey Madison - "Anora"
Melhor Ator: Adrien Brody - "O Brutalista"

"Emilla Pérez" (Foto: Paris Filmes)

Melhor Atriz Coadjuvante: Zoe Saldaña - "Emilia Pérez"
Melhor Ator Coadjuvante: Kieran Culkin - "A Verdadeira Dor"
Melhor Roteiro Original: "Anora"
Melhor Roteiro Adaptado: "Conclave"
Melhor Montagem: "Anora"
Melhor Figurino: Paul Tazewell - "Wicked"
Melhor Maquiagem e Cabelo: "A Substância"
Melhor Trilha Sonora Original: "O Brutalista"

"A Substância" (Foto: Universal Pictures)

Melhor Canção Original: "El Mal" - "Emilia Pérez"
Melhor Animação: "Flow"
Melhor Design de Produção: "Wicked"
Melhor Som: "Duna: Parte 2"
Melhores Efeitos Visuais: "Duna: Parte 2"
Melhor Fotografia: "O Brutalista"
Melhor Documentário: "No Other Land"
Melhor Documentário em Curta-Metragem: "A Única Mulher na Orquestra"
Melhor Curta-Metragem: "I'm Not a Robot" (Irlanda)
Melhor Curta-Metragem Animado: "In the Shadow of the Cypress"


"O Brutalista" (Foto: Universal Pictures)

06 novembro 2024

"Ainda Estou Aqui" - um filme sobre resiliência, coragem e tempos sombrios

O aguardado longa de Walter Salles entra em cartaz nos cinemas de BH e promete cativar o público
(Fotos: Alile Dara Onawale/Divulgação)


Eduardo Jr.


Estreia nesta quinta-feira (7/11), o longa "Ainda Estou Aqui", novo trabalho do diretor Walter Salles, distribuído pela Sony Pictures. Coincidência ou não, no mesmo dia da morte de Evandro Teixeira, fotojornalista que clicou momentos icônicos do combate à ditadura no Brasil, a equipe do Cinema no Escurinho foi convidada para acompanhar a pré-estreia deste que se configura como mais um resgate memorável desse triste período da história. 

O buzz em torno do filme, após a exibição no Festival de Veneza, tem tudo para se justificar em terras brasileiras. Adaptado do livro homônimo do jornalista Marcelo Rubens Paiva, o longa conta a história de Eunice Paiva, mãe de Marcelo e mulher do ex-deputado Rubens Paiva, que é levado de casa por policiais, nos anos 1970, dando início ao drama.


Aliás, o termo "drama" se aplica mais ao segundo ato da obra, que inicia com a apresentação das personagens e com um suspense, canalizado na presença dos caminhões com militares, que passam pelas ruas e provocam um incômodo na protagonista, em contraste com o cotidiano festivo do casal e seus cinco filhos. 

Walter Salles é inteligente ao mostrar Rubens Paiva (Selton Mello) com uma rotina familiar e depois sua prisão sem motivos claros. Imprime a percepção de que, na ditadura, qualquer coisa era motivo para violar direitos. 

Deixa no espectador o vazio da falta daquele personagem (talvez uma espécie de simulacro da falta que um ente desaparecido deixa nos familiares). É aí que o cotidiano solar e colorido da família começa a se transformar.  

(Foto: Lais Catalano Aranha/Divulgação)

A entrada dos milicos é digna de "O Poderoso Chefão" (1972), com sujeitos mal-intencionados emergindo das sombras. A fotografia faz questão de escurecer a tela. A maldade do regime consegue causar impacto no espectador sem apelar para arroubos cinematográficos ou de emoção. E nem precisa. 

A câmera nos faz enxergar a Eunice criada por Fernanda Torres, uma escolha visual que se mostra acertadíssima! A protagonista começa uma mulher de classe média alta, muda para dona de casa sem privilégios, se reinventa como advogada, e comunica tudo com uma atuação e expressões impecáveis, entregando melancolia e força até nos gestos mais sutis. 

Além de Fernanda, todo o elenco parece ter entendido que menos é mais. O filme traz atuações precisas e bem sintonizadas entre atores que dão vida aos personagens na 1ª fase e os que assumem após a passagem de tempo. 


Ponto positivo também para a excelente trilha sonora, com músicas da época muito condizentes com a mensagem e com o momento (de ontem e o atual, embora o filme seja também sobre memória). 

Uma dessas pautas da atualidade já era parte da biografia de Eunice. Após a tragédia familiar, ela voltou a estudar, se formou em Direito e passou a atuar em prol das causas indígenas (que voltaram aos noticiários, recentemente) e violações dos Direitos Humanos. 

Se assim podemos dizer, uma das vitórias foi a dela própria, ao obter a certidão de óbito do marido. Eunice recebe o documento como sempre fez, sorrindo. Por ordem dela, não era permitido à família Paiva chorar ou sofrer frente às câmeras, pois essa seria uma vitória dos assassinos que destruíram tantas outras famílias brasileiras. 


Eunice morreu em dezembro de 2018, com 86 anos, em decorrência do Mal de Alzheimer. Está representada nessa fase final por Fernanda Montenegro. E com a mesma força expressiva que a filha deu à personagem no início e meio do longa. 

No final deste filme, de tamanho refinamento técnico que mal se percebe o passar das duas horas de exibição, o espectador observa algo que pode ser interpretado como o que essas famílias experimentam: a busca de uma completude que nunca mais existirá. O que fica, é memória. Filme imperdível! 

"Ainda Estou Aqui" é a produção brasileira escolhida para integrar a lista de possíveis indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. A prévia dos finalistas sai no dia 17 de dezembro e a lista com os cinco escolhidos será divulgada no dia 17 de janeiro. 


Ficha técnica:
Direção: Walter Salles
Roteiro: Murilo Hauser e Heitor Lorega
Produção: Mact Productions, VideoFilmes, Arte France, RT Features
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h15
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, suspense

27 outubro 2024

"Venom: Tempo de Carnificina" uma sequência que não soube desenvolver a violência dos quadrinhos na tela

Eddie e seu hóspede simbionte tentam retomar a normalidade após os acontecimentos do primeiro filme
(Fotos Sony Pictures)


Marcos Tadeu

Retomando a química cômica que deu certo entre Eddie e o simbionte Venom no primeiro filme, de 2018, a Sony Pictures e os estúdios Marvel apostaram na sequência e lançaram "Venom: Tempo de Carnificina". A tentativa era atrair o público e, logicamente, arrecadar uma boa quantia em bilheteria com mais um filme solo do vilão, num estilo similar ao de "Coringa". 

Para quem não viu este segundo filme da franquia, ele pode ser conferido em várias plataformas de streaming por assinatura. E se preparar para o final da trilogia com "Venom: A Última Rodada", em exibição nos cinemas.  Confira a crítica no blog clicando aqui.


A sequência chegou aos cinemas em 7 de outubro de 2021, anunciando o arqui-inimigo: Carnificina. Na história, temos os vilões Cletus Kasady (Woody Harrelson) e sua namorada Frances Barrison (Naomie Harris) retomando seus papéis do filme original. 

Eles estão presos num instituto para tratamento de pessoas com comportamento violento, mas com a ajuda de seus simbiontes, conseguem escapar. 

Um ano após os eventos de "Venom", Eddie Brock (Tom Hardy) tenta retomar sua carreira como jornalista, enquanto a criatura simbiótica deseja, a todo custo, dominar o corpo de seu hospedeiro e se alimentar de bandidos. 


Eddie é chamado para entrevistar Kasady, condenado à morte. A situação muda quando a execução falha e o simbionte Carnificina (Gary Hecker) o liberta, desencadeando uma nova ameaça para Eddie e Venom.

A premissa até parece promissora, e a relação entre Eddie e Venom ainda proporciona boas risadas. A ação tenta se destacar, mas cai em um campo tão artificial e sem graça que praticamente repete o que o original já fez. 

O maior problema do filme é a caracterização de Kasady como Carnificina. O enredo falha no desenvolvimento, tanto do roteiro quanto da ação. O personagem tinha potencial para ser uma grande ameaça ao longo da trama, mas parece haver um receio em mostrar todo o seu poder, deixando isso para as cenas finais, que resultam em uma luta sem graça. 


Falta tempo suficiente para que "Tempo de Carnificina" desenvolva sua mitologia e o ritmo apressado não permite que a maior novidade da sequência seja explorada adequadamente. 

Nem mesmo Cletus Kasady, apresentado como um serial killer, é bem desenvolvido, mesmo depois de ser libertado. O pouco que nos é mostrado sobre sua fama de perigoso é distribuído aos poucos ao longo dos 97 minutos de duração do longa.

No elenco, além dos protagonistas e dos dois vilões, retornam à trama os atores Michelle Williams (como Anne, ex-namorada de Eddie), Peggy Lu (Sra. Chen) e Reid Scott (atual namorado de Anne).


As cenas de ação, que prometiam ser mais brutais e viscerais, não entregam nem uma gota de sangue ou violência como foram anunciadas. Parece haver um certo medo de ousar, talvez devido à classificação indicativa mais baixa - 13 anos. 

Tecnicamente, o filme também falha. O CGI, utilizado para destacar a luta entre os alienígenas, se perde em cenas escuras e mal iluminadas, que não fazem jus ao que o filme prometia.

"Venom: Tempo de Carnificina" é uma sequência inferior ao seu antecessor, o que não é um grande elogio ao primeiro longa. O filme não desenvolve adequadamente seus personagens nem dedica tempo suficiente para que o público se interesse realmente pelo grande vilão.


Ficha técnica
Direção:
Andy Serkis
Roteiro: Kelly Marcel
Produção: Sony Pictures, Marvel Studios
Exibição: nas plataformas de streaming por assinatura Prime Vídeo, Apple TV+, Hulu, Google Play Filmes, Youtube, Starz, The Roku Channel e Vudu
Duração: 1h37
Classificação: 13 anos
País: EUA
Gêneros: ação, ficção

23 julho 2024

"Como Vender a Lua" é o marketing bem feito para manter um sonho americano

Comédia romântica tem ótimo elenco e bons efeitos especiais que seguram o roteiro (Fotos: Sony Pictures)


Maristela Bretas


Quem hoje está na faixa acima dos 60 anos e acompanhou com olhos colados na tv a famosa imagem do primeiro homem a pisar em solo lunar, vai sentir uma pontinha de saudade no peito ao rever. 

Pois esta cena e muitas outras marcantes estão no longa "Como Vender a Lua" ("Fly Me to the Moon"), filme em cartaz nos cinemas que tem como protagonistas Scarlett Johansson e Channing Tatum. Quase uma homenagem aos 40 anos do evento, ocorrido em 20 de julho de 1969.


Dirigido por Greg Berlandi, o longa explora o marketing montado para divulgar a importância de se manter o projeto espacial Apollo para os Estados Unidos melhorarem a imagem pública da NASA. Somente com o pouso na Lua o governo norte-americano conseguiria recuperar a liderança da corrida espacial, perdida para a Rússia na década de 1960.

Johansson é Kelly Jones, a especialista em marketing de passado nebuloso convocada para este difícil trabalho. E para evitar mais uma falha (outros lançamentos terminaram em destruição e tragédia), ela é convocada pelo assessor do governo Moe Berkus (Woody Harrelson) a criar um Plano B - encenar um pouso na Lua fake com transmissão ao vivo.


Essa é inclusive uma das maiores teorias da conspiração, que vem atravessando décadas: o homem realmente pisou na lua ou foi tudo uma grande produção cinematográfica no estilo Hollywood, que teria sido filmada por Stanley Kubrick? 

O filme é uma aula de marketing da enganação e convencimento, que chega a colocar novamente esta pulga atrás da orelha do espectador.

O que Kelly não esperava era conhecer o diretor de lançamento da Apollo 11 e ex-piloto de combate, Cole Davis (Tatum), que vive a vida pelo sucesso da missão e não aceita sofrer mais uma falha. 

Especialmente agora que o mundo inteiro estará acompanhando pela TV. Ele terá de se unir à marqueteira para garantir que tudo dê certo e o plano seja bem convincente.


Além das armações, mentiras e situações engraçadas, "Como Vender a Lua" também pincela questões delicadas da época, como a Guerra do Vietnã, as missões à Lua desastrosas, inclusive com mortes de tripulantes, e a Guerra Fria, mas sem aprofundar em nada. 

O roteiro é simples, sem muitas novidades, mas o emprego de imagens antigas, os ótimos efeitos visuais e sonoros e as interpretações seguram o longa.

O elenco está bem afinado, com Scarlett (que também é produtora do filme) e Tatum entregando interpretações simpáticas e divertidas em algumas situações. Harrelson também não fica para trás como o agente inescrupuloso do governo, assim como Anna Garcia, como Ruby, assessora de Kelly, e Jim Rash, como Lance, da equipe de lançamento de Cole.    


Destaco (por gostar muito do tema) do filme as imagens dos lançamentos de foguetes que tomam a tela, e a famosa frase dita pelo astronauta Neil Armstrong: "esse é um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para a humanidade".

"Como Vender a Lua", assim como seus protagonistas, é simpático, leve e bom de ser assistido no cinema. Uma viagem no tempo que ainda emociona aqueles, como eu, que acompanharam os fatos na época. Vale conferir.


Ficha técnica
Direção:
Greg Berlandi
Produção: Apple Original Films
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h12
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, romance